terça-feira, 17 de julho de 2012





"Descança no meu colo a tua cabeça de mulher
Deixa que eu seja o teu pai,
Ainda que por um instante.
Vivamos o parto as avessas.
Eu que sou teu filho, por hora, quero ser o teu pai
Só pra ter o prazer de te ver menina.
Tão cheia de sonhos,
Só pra puxar os teus cabelos
E neles colocar laços bordados de alegrias.
Cores de tempos antigos, distantes,
Quando nem imaginavas que eu seria  oteu filho.
Vem aqui!
Fica quietinha.
Permita que eu cuide de tuas coisas,
De teu guarda-roupa tão cheio de desordens.
Não importa!
O remédio eu te trarei,
O teu alimento, eu plantarei.
E ajeitarei o teu travesseiro de um jeito que gostes,
Só pra descobrir a alegria,
A alegria de reverter os poderes do tempo.
E poder inverter a ordem dos fatos.
Só pra ter a graça de ter chamar de minha filha,
Minha menina,
Minha mãe que é minha vida...
Só para ter a graça de evitar os teu choros futuros,
Tuas dores constantes,
Teus medos tão delicados.
Medo de me perder,
De que eu morra antes da hora,
E de que não estejas por perto no momento em que eu precisar de tua mão.
Como no passado quando me conduzias contigo,
Como se fóssemos um só.
Um nó de gente amarrado e costurado no amor que sobrava no teu peito.
Amor que Deus esqueceu no mundo,
E que eu vi de perto, refletido nos teus olhos.
Quando a vida nos apresentava motivos para perder a esperança.
Óh minha mãe que saudade eu sinto de nós dois juntos."

                                                            Pe. Fábio de Melo

Saudades Vó, Minha segunda mãe!

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